O título está em espanhol, mas o conteúdo seguirá em português. Tomo essa decisão porque a mensagem precisa chegar aos operadores do mercado de fitness nacional: o gestor brasileiro poderá enriquecer o seu arsenal de estratégias se percorrer outros países latino-americanos para ver o que nossos hermanos andam gerindo suas empresas!
Sim, somos o segundo maior mercado em números de academia no mundo. Atrás dos EUA, com suas 34.000 unidades, seguimos bem de perto o tio Sam com nossas 31.809 empresas de fitness e bem-estar. Esses números, e todos os demais que apresentarei neste texto, vêm do Global Report 2015 da IHRSA. A edição de 2016 deverá ser publicada ainda neste primeiro semestre.
E, se estamos atrás apenas dos EUA, por que deveríamos ver o que outros mercados do continente estão fazendo? Não deveríamos manter a peregrinação costumeira aos States, assombrámo-nos com suas estruturas e tecnologia e regressar ao Brasil com nossas encomendas?
Bem, ir aos Estados Unidos nunca é demais. E aproveitando a dica, coloquem no roteiro New Orleans e Memphis. Não que tenham a ver com o fitness business. Têm a ver com outros prazeres da vida.
O que o mercado de fitness latino-americano tem a compartilhar com o operador brasileiro? Vejam: somos o segundo maior mercado mundial em número de academias. Em receita geral, os 2 bilhões e 400 milhões de dólares arrecadados pelas academias brasileiras nos colocam em 10˚ lugar no mundo. Nenhum outro país do continente, salvo EUA (24,4 bilhões em 1˚) e Canadá (2,6 bilhões em 8˚), amealharam mais. Nenhum outro latino-americano.
Tamanho não é documento!
As 31.809 academias brasileiras absorvem 7.950.000 usuários. Média de 250 clientes por academia. Essa é a média de clientes por academia no Brasil, segundo o estudo da IHRSA. Vejamos os demais países latino-americanos:

Sim, o Brasil tem a mesma média de clientes por academia que a Venezuela.
Apesar do volume financeiro movimento pelo nosso mercado, colocando-nos em posição de destaque no cenário mundial, o valor pro rata de cada empresa de fitness e bem-estar brasileiro está longe de dar orgulho. Os valores da primeira coluna numérica são os originais, estão em dólares e correspondem ao montante médio que cada academia auferiu no ano de 2014. Para rápido cálculo, converti em reais (cotação de US$1 = R$3,75) e dividi por 12 para registrar a média de ingresso mensal.
Esse valor é o da coluna última coluna à direita:

A média da receita mensal das academias brasileiras é a 7ª na América Latina, como vimos na tabela acima. E podemos até colocar parte da responsabilidade na crise financeira, governo federal, e quaisquer outros cenários difíceis pelos quais passamos. Mas, vejam: o mercado argentino, que vive há anos com uma inflação anual na casa dos 20% e moeda ainda mais desvalorizada que o real, tem quase o dobro da nossa média. O dobro!
Será o efeito das academias low-costs, a leia da oferta e demanda ou percepção de valor por parte do cliente? Talvez pelo conjunto desses e de outros motivos, o fato é que o gasto médio de cada usuário de academia no Brasil é o 8˚ entre os latino-americanos. Em média, cada cliente paga, por mês um valor de R$96, segundo o Global Report. O México, onde a rede brasileira SmartFit desembarcou com força total, tem a maior média dentre os avaliados: R$168,68.

Temos atuado em alguns desses países e temos levado a nossa expertise para aqueles que nos dão o voto de confiança. Mas, e assim como acontece aqui no Brasil também, tanto quanto ensinamos, aprendemos.
Há diferenças nas estruturas legais fiscais e laborais, e culturais. Mas há situações muito semelhantes também e que merecem a observação. Por isso a dica: visitem, troquem experiências, aprendam e ensinem. O idioma não pode ser uma barreira. Somos todos latino-americanos.
Por un mercado fitness latinoamericano más fuerte!
Christian Munaier é autor do livro “Gestão Consciente da Ginástica Coletiva” (Phorte Editora, 2012), sócio-consultor 4GOAL e diretor do instituto4GOAL. christian@4goal.com.br – (11)4327.2844 – (11)96456.0077






















