As armas e armaduras da gestão de conflitos
As armas e armaduras da gestão de conflitos
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As armas e armaduras da gestão de conflitos

Lembre-se sempre: os conflitos precisam de negociadores. Se você ainda não desenvolveu essa habilidade, arrume quem a tenha e coloque esse colaborador ao seu lado.

Visão, estratégia, projeto, mudanças, conflitos, negociação e sucesso – palavras inseparáveis que orientam nesse momento essa minha pequena reflexão. Durante todos esses anos em consultoria, desenvolvendo projetos em mais de 60 academias, busquei compreender um pouco da essência do comportamento empreendedor de todos que fazem parte dessas corporações, e que devem apoiar, de forma mais sistêmica e genuína, os processos de evolução.

Os processos de evolução são orientados pela visão. A visão nos mostra o horizonte a ser alcançado. Para chegarmos a esse horizonte emblemático e, muitas vezes cinematográfico, precisamos de uma estratégia, de um caminho.

Não existe outra forma de percorrer esse caminho com eficiência e eficácia senão pela criação e estruturação de um projeto. Os projetos são os grandes organizadores das mudanças e as mudanças são as grandes inimigas do conforto. E é ai que mora o perigo e é aqui também que iniciamos a nossa reflexão.

Infelizmente, a implementação de projetos sofre com uma das características mais primitivas do ser humano: buscar sempre uma zona de conforto, um lugar onde ele se sinta seguro e consiga, de certa forma, dominar as variáveis da situação.

Como já é de conhecimento de muitos, o mercado está cada vez mais competitivo e isso faz com que a engrenagem da evolução corporativa tenha a necessidade vital de se manter em movimento e, para que isso aconteça, precisamos de projetos bem estruturados e de colaboradores totalmente fora da zona de conforto.

Na implementação de projetos, temos de tirar as pessoas dessa tal zona maligna de conforto, e é a partir desse momento que acontecem os conflitos. Conclui-se então que os conflitos nascem quando uma das partes se sente afetada sobre determinada postura da outra parte, que a tirará da sua zona de conforto.

A gestão de conflitos na implementação de projetos é uma habilidade visceral para quem quer construir algo e ser o grande operador das mudanças. Uma empresa, na grande verdade, é um aglomerado de pessoas que necessita continuamente de uma série de operadores de mudanças. A dificuldade está no fato de as pessoas possuírem desejos e necessidades distintos. Por isso, o sucesso dos projetos está pautado não na concordância total do que será implementado, e, sim, na forma que se gerencia as discordâncias que colocam em xeque tudo aquilo que foi idealizado.

Não existem empresas que não tenham conflitos, já que as pessoas nunca são iguais e que os seus ideais, por mais que sejam parecidos, em algum momento se mostrarão diferentes.

Coloquem suas armaduras, desembainhem suas espadas, pois os conflitos serão longos e árduos. Se você fraquejar ou até mesmo se desistir, você entrará na sua zona de conforto. Se prosseguir com determinação, colecionará algumas baixas diante daqueles que não querem mudar.

Para amenizar a sua guerra e fazer com que seus projetos tenham um sucesso maior, ressalto aqui dez pensamentos sobre esse tema tão importante:

1 – Antes de iniciar qualquer projeto, reúna todas aquelas pessoas que, de certa forma, sentirão o reflexo desse trabalho em suas rotinas. Prepare a sua espada: está na hora de golpear a zona de conforto. Explique o projeto e como todo o escopo será desenvolvido, mostre a importância dele para a corporação, disserte sobre os prazos de implementação e as expectativas de retorno desse projeto. Tal fato aproxima os operadores de mudanças e ameniza os possíveis conflitos futuros;

2 – Invista 40% do tempo desse encontro para descrever minuciosamente a sua expectativa frente a cada membro da sua empresa nesse projeto. Fale sobre o empenho, a vontade de fazer acontecer, espírito de equipe etc. Em um segundo golpe, alinhe juntamente com eles as metas e os objetivos individuais de cada um e do projeto com um todo. Nunca se esqueça de que essas expectativas de sucesso devem ser implementadas com prazos e indicadores de controle;

3 – Prepare-se: está na hora de levantar o escudo e receber o contragolpe. Ao distribuir as atividades e metas, você estará mexendo intimamente com a zona de conforto de cada colaborador, e é nesse momento que eles contra-atacam. Lembre-se, nem todos gostam de trabalhar sobre cobrança, portanto, vencer essa primeira batalha é indispensável. Tente entender as argumentações de todos e readapte os objetivos e metas, caso seja necessário, mas cuidado para que as metas não se tornem fáceis de mais para serem atingidas;

4 – Você se defendeu do primeiro golpe e venceu a sua primeira batalha? Sim ou não? Tem certeza? Esse é um dos passos mais importantes na implementação de um projeto: ter a certeza de que todos compreenderam e que superaram essa primeira zona de conflito;

5- Utilize documentos extremamente claros e explicativos para que não haja nenhum tipo de dúvida futura e para que todos possam estudar o que foi planejado. Lembre-se de que não existe projeto se o mesmo não estiver documentado. Um projeto sem documentos de controle não passa de um aglomerado de ideias, que serão esquecidas muito em breve. Quanto mais explícitas e documentadas as ideias sobre o projeto, maior a possibilidade de todos compreenderem e, conseqüentemente, maior possibilidades de sucesso;

6 – Nunca seja otimista demais sobre a inexistência de possíveis conflitos na implementação dos seus projetos. Você deve reconhecer que os conflitos sempre acontecerão e que por mais político que você seja, realmente nunca conseguirá evitá-los;

7 – Nunca acredite em todos os feedbacks positivos sobre os seus projetos. Por mais que sua equipe transpareça que está totalmente de acordo e feliz com essa situação, lembre-se de que os maiores conflitos acontecem dentro da consciência de cada um, e que nem sempre todas as pessoas explanam o que realmente acham ou sentem sobre determinada situação. O bom estrategista avalia todos as variáveis e impactos de suas ações, até mesmo daquelas que porventura nunca acontecerão;

8- Toda guerra deve ser “gerenciada”, ou seja, os conflitos nunca podem ser deixados a esmo. Muitas são as batalhas, mas a guerra só será vencida quando todos os conflitos forem superados. Nenhum conflito pode ser ignorado. Lembre-se de que uma pequena pedra na estrada pode tirar da trilha qualquer um que ignorá-la. Cada etapa conquistada é uma vitória, cada passo sem sucesso é uma grande oportunidade para reflexão e crescimento;

9- Amarre todos os indicadores possíveis para manter o controle do projeto. Os conflitos tendem a minar os indicadores. Tenha sempre as rédeas nas mãos e assim você conseguirá preservar os indicadores e controlar melhor as influências negativas que, porventura, poderão desorientar a caminhada saudável do projeto;

10 – Lembre-se sempre: os conflitos precisam de negociadores. Se você ainda não desenvolveu essa habilidade, arrume quem a tenha e coloque esse colaborador ao seu lado. Os conflitos, externalizados ou não, são resolvidos com muita negociação. Saber ouvir e interpretar o que os envolvidos tentam demonstrar é a forma mais sensata de se vencer as negociatas.

Colocando esses pequenos pensamentos em prática, você conseguirá amenizar todas as influências anticonstrutivistas criadas por seus colaboradores, para assim fazer com que o seu projeto possa fluir dentro do prazo esperado e conseguir conquistar o objetivo que você idealizou. Tente disseminar uma cultura mais integrativa e produtivista, e o futuro reservará para sua empresa boas colheitas.

Bons negócios

 

Alessandro Mendes é Bacharel em Marketing e Sócio Gestor e Fundador da Intarget Consultoria
E-mail: alessandro@arqueiros.com.br
www.arqueiros.com.br

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1 Comentários desativados em As armas e armaduras da gestão de conflitos 1436 01 fevereiro, 2013 Alessandro Mendes, Liderança e Pessoal fevereiro 1, 2013

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Thais Almeida é diretora e curadora de conteúdo deste portal.

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