Em um mercado altamente dinâmico como o de fitness, contar com colaboradores motivados se tornou uma importante vantagem competitiva. As academias que se enveredaram por esse caminho vêm obtendo o melhor de seus funcionários.
No mundo corporativo, as mudanças ocorrem em um ritmo alucinante. São inúmeras as descobertas e inovações anunciadas em diversos campos, que têm sido fundamentais para o progresso das empresas.
No entanto, se os novos conceitos e tecnologias são importantes para tornar e manter as corporações mais competitivas, cada vez mais se percebe que a valorização do capital humano é essencial nesse processo, ou seja, as pessoas são a principal fonte de inovação e renovação das organizações.
Essa é uma tendência que se verifica em vários segmentos. E na área de fitness não é diferente.
A competitividade nesse setor tem sido cada vez mais acirrada, obrigando as empresas a buscar diferenciais que garantam o sucesso de seus negócios. Nesse aspecto, poder contar com colaboradores comprometidos e motivados deixou de ser apenas mais um discurso para se tornar uma realidade prática.
De fato, as academias começam a se convencer de que investimentos em pessoas trazem retorno altamente positivo e consistente. Os empresários de fitness que se enveredaram por esse caminho, trabalhando, principalmente, a motivação de suas equipes, vêm alcançando excelentes resultados.
“Motivação no trabalho é fundamental para que as pessoas produzam com todo o seu potencial. Para isso, é necessário que a empresa cuide de seus funcionários. Um ambiente de trabalho leve, com diálogo, atenção e que ofereça oportunidades para o indivíduo crescer é importante. O funcionário tem de se satisfazer com o que faz. Se não houver isso, a empresa sempre será um ‘paga-contas’ ou um trampolim para um emprego melhor”, comenta Prof. Altayr Monteiro, gerente-administrativo da rede de academias Runner, que possui, atualmente, mais de 1.000 funcionários
Para Altayr, um colaborador que trabalha motivado é um bem imensurável. “Mas, motivar os trabalhadores e mantê-los motivados realmente não é fácil. E oferecer uma boa remuneração somente não é suficiente”, acrescenta Altayr.
Segundo ele, a Runner adotou uma linha de atuação focada nos desejos humanos, priorizando aspectos, como o reconhecimento, o apreço, o estar ocupado com coisas que fazem sentido etc. “Para manter nossas equipes motivadas, a ordem é se mostrar sempre receptivo. Ou seja, não rejeitar propostas para uma nova abordagem sem mais nem menos. Também buscamos encorajar as pessoas a assumirem responsabilidades, mostrando-lhes que a empresa aprecia quando alguém se encarrega de uma tarefa. Além disso, ter sempre uma atitude positiva em relação à interação social e ao trabalho de equipe; manter as pessoas informadas sempre que possível; encorajá-las regularmente; oferecer-lhes feedback, discutindo-se o empenho de cada um periodicamente; permitir-lhes que falem sobre o que as motiva, escutando esse e outros pontos com atenção; e proporcionar-lhes segurança, uma vez que as incertezas podem desmotivar a equipe, também fazem parte de nossas estratégias motivacionais”, revela o gerente.
Segundo ele, a implementação de todas essas ações ocorrem de forma diferente para cada setor, respeitando-se as características das áreas. “Cada pessoa é diferente e o que as motiva também. Por isso, nos diversos setores temos alguns diferenciais que estão relacionados aos interesses de cada profissional”, explica.
Os conceitos são trabalhados de forma corporativa e cada unidade segue as diretrizes e executa o planejamento da rede como um todo. “Muitos desses eventos e programações são criados justamente para integrar nossos alunos e profissionais e gerar uma sinergia entre a rede. É lógico que algumas adaptações e correções são feitas, respeitando-se as diferenças de cada região e o perfil da clientela de cada unidade”, observa.
Na visão de Altayr, o desafio da motivação se faz presente em todas as áreas da academia. Nesse aspecto, a maior dificuldade, hoje, na opinião do gerente, é o entendimento das informações. “Muitos colaboradores não entendem as mensagens do dia a dia ou não têm acesso a elas. Melhorar o canal de comunicação é importante para aprimorar todas as ações motivacionais na empresa”, aponta.
Outra dificuldade, segundo Altayr, está na logística. Ele lembra que toda tentativa de ação coletiva esbarra na dificuldade e na diversidade de atividades, horários, compromissos e eventos de cada área. “Tal obstáculo, se não for bem trabalhado e organizado por uma equipe central, pode gerar um descontentamento de uma parcela de colaboradores, até mesmo por não conseguirem se encaixar nos programas e ações criadas. Acredito que o caminho para ações bem-sucedidas é a união de alguns fatores. O aspecto aliado a um bom planejamento de calendário (reuniões previamente marcadas, agendamento de treinamentos, agendamento de eventos e atividades extras ), informações precisas sobre todos os assuntos pertinentes ao setor de trabalho, que possibilitem o mais importante: o colaborador se sentir prestigiado pela empresa”, recomenda.
Valores virtuosos
Na Bio Ritmo, que emprega atualmente cerca de 900 colaboradores, as ações para motivação dos colaboradores são definidas pelas próprias equipes das unidades. Os líderes, juntamente com seus times, determinam as melhores estratégias. “Trabalhamos por meio de projetos focados no engajamento dos colaboradores e do envolvimento emocional do cliente com a nossa marca. Acreditamos que a motivação está dentro de cada um de nós. O papel do líder e da empresa é criar um ambiente propício para que essa motivação tenha espaço para se expandir, vir à tona, sendo demonstrada por meio de novas ideias (criatividade) e do compromisso com o nosso cliente retenção”, avalia Edgard Corona, CEO da Bio Ritmo Academia.
Segundo ele, na Bio Ritmo, a primeira orientação que a empresa passa ao líder é ouvir quais são as necessidades de seu colaborador; descobrir se essa pessoa sabe o que se espera dela no trabalho; se ela é reconhecida quando faz algo positivo; se sente que a empresa se preocupa com o seu desenvolvimento profissional e pessoal etc. “Ou seja, não adianta despejar um monte de informação, se o colaborador não sentir que há real interesse em seu desenvolvimento A empresa precisa de uma missão guiada por valores virtuosos e norteada por uma gestão participativa, na qual proprietários, líderes e colaboradores busquem, juntos, soluções para surpreender seus clientes. A questão em pauta deve ser: qual é a contribuição que você e sua empresa querem deixar para o mundo?”, pergunta.
Fernando Lobo, gestor da Universidade Pelé Club, também acredita que funcionários mais motivados executam suas funções com maior satisfação. Segundo ele, na Pelé Club os dois pontos principais para a motivação de funcionários são a participação em projetos e a atualização de conhecimentos.
“A participação envolve a idealização, o planejamento, a execução e a avaliação em projetos que são desenvolvidos dentro das unidades ou na rede. Tais projetos vão desde eventos (internos ou na rede) até propostas de alteração de processos internos na academia ou de uma área da rede. Já a atualização de conhecimentos serve tanto para motivação direta, na formação e capacitação de novas técnicas e novas estratégias, quanto estimula os mais graduados a transmitir esses conhecimentos e suas experiências”, explica o gestor.
Essa troca de conhecimentos é coordenada por um centro de treinamento, chamado Universidade Pelé Club. “Para desenvolver programas bem-sucedidos, vejo a proximidade com os funcionários o ponto-chave para termos uma margem de erro muito pequena, evitando desperdício com ações ineficazes”, completa.
Na Pelé Club, por exemplo, existe também o reconhecimento por meta cumprida, que, para Fernando, é fundamental para qualquer negócio. “Porém, temos o cuidado de não transformar essa estratégia em uma corrida desesperada a um objetivo ou criar metas impossíveis, o que pode gerar uma competição desleal, reduzindo a motivação da equipe. Na verdade, usamos estratégias de metas para todas as áreas, e não só as vinculadas diretamente ao número de alunos ou faturamento”, esclarece.
De fato, trabalhar com pessoas motivadas é princípio básico para qualquer empresa. A Academia 24 horas sabe muito bem o que é isso e vem colhendo bons frutos desse investimento. A empresa, que possui hoje mais de 200 funcionários, atribui às pessoas o crescimento que vem alcançando: em apenas cinco anos já são três unidades em funcionamento.
Segundo Claudio Assencio Rocha, coordenador, na Academia 24 horas, a premissa das estratégias para motivação de colaboradores é a mesma para todas as unidades, porém, as ações específicas e as ferramentas são adequadas à realidade e necessidade de cada uma delas.
“Temos um sistema de gestão hands on. Acreditamos que quanto mais próximos de nossas equipes estivermos, maior será a velocidade e clareza das informações e diretrizes, o que garante a participação dos colaboradores nos processos. Também realizarmos feedback e coaching constantes sobre os indicadores de desempenho, a fim de manter a energia da equipe em alta”, detalha o coordenador.
Atualmente, a área comercial é a que requer mais atenção da empresa, por receber diretamente a pressão de atuar com metas de crescimento e performance, sem contar a pressão do consumidor, que está cada vez mais exigente, principalmente no momento da renovação do plano.
“Hoje, na Academia 24 horas, temos um criterioso processo de seleção de colaboradores, por meio do qual tentamos buscar pessoas que se identifiquem e se motivem com a missão, valores e premissas da rede”, avalia Claudio.
Esforços recompensados
Outra rede de academias que prioriza o investimento em motivação de seus colaboradores é a Cia. Athletica, que emprega hoje cerca de 1.300 colaboradores diretos. Conforme revelou Kleber Holanda Cavalcante, gerente-administrativo da Unidade Kansas, em São Paulo, as unidades também possuem autonomia para desenvolver ações que contribuam para manter as equipes motivadas. Aliás, as boas práticas nessa área têm sido estimuladas e reconhecidas pela rede. “Existe uma estratégia corporativa que promove a abertura, de modo que ocorram inovações nas unidades (individualmente), que são premiadas. Assim, a cada final de ano, as melhores propostas são submetidas a uma avaliação, bem como aproveitadas no âmbito corporativo”, conta Kleber.
Do Prêmio “Inovação” podem participar todos os colaboradores e prestadores de serviços, inclusive, os estagiários da rede. São duas as categorias: uma que contempla projetos que objetivam implementar um novo programa de treinamento ou aula; e outra que visa à melhoria de processos, englobando qualquer ideia que possa ser implantada pela rede, seja na área administrativa, no atendimento ao cliente, ou em qualquer outra área da academia.
Além disso, a unidade Kansas ainda trabalha, por exemplo, com uma meta financeira que, quando atingida, premia a cada seis meses todos os funcionários, em consonância com os cargos e com valores predeterminados, chamada de Meta Crucialmente Importante (MCI). Tal meta está atrelada ao número de novos alunos e também à retenção de clientes na academia.
Outras ações motivacionais da rede são o Prêmio “Fora da Curva”, que visa a reconhecer e valorizar os colaboradores que demonstram um comportamento diário diferenciado nos seguintes pilares: proatividade, atitude anfitriã e excelência técnica; e o Prêmio “Casos da Missão”, que reconhece, mensalmente, colaboradores e parceiros que, em algum momento, realizaram para os clientes algo que esteja diretamente ligado à missão da empresa.
Na opinião do gerente, o maior desafio em relação à motivação dos colaboradores está em se conseguir alinhar a missão, visão e os valores da empresa à missão, visão e valores dos colaboradores.
“Quanto maior a proximidade desses aspectos, maior a resposta aos desafios que são criados no dia a dia, na busca de melhora da captação e retenção dos clientes. Quando um colaborador percebe essa importância e está alinhado a ela, fica visível a resposta por meio de seu comportamento diante dos desafios apresentados”, analisa.
Segundo ele, implantar somente o que pode ser medido também é uma preocupação que os empresários devem ter quando investem em ações motivacionais. “Quando se oferecer treinamentos para os colaboradores, é preciso conseguir medir o impacto que esse treinamento vai gerar no negócio. Como, por exemplo, como o cliente vai perceber os efeitos desses treinamentos; como o colaborador vai incorporar esses conhecimentos e aplicá-los no seu dia a dia etc. Se a academia não conseguir ter essas informações de forma clara, precisa repensar o que está para ser feito, a fim de evitar jogar dinheiro fora. Pequenas mudanças consistentes e permanentes são, muitas vezes, melhores do que grandes acontecimentos que não se sustentam ao longo do tempo”, frisa Kleber.
Por Madalena Almeida – Jornalismo Gestão Fitness






















