Exercício Físico é Subproduto
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Exercício Físico é Subproduto

Aposto muito na possibilidade de ressignificar o papel do exercício físico na vida das pessoas. Conheço casos de sucesso de gente que aprendeu a gostar da jornada, e sei como são importantes a presença e a sensibilidade do profissional que as acompanha nesse processo.

Muita gente não gosta de se exercitar. E não é à toa! De modo simples e primitivo, tudo o que acontece em nosso corpo enquanto estamos em uma corrida, uma aula de bike indoor, uma sessão de musculação ou em outra atividade física programada, coloca sempre nosso corpo em risco. Perturba o equilíbrio metabólico e estrutural. Cria uma sensação desagradável para a maioria das pessoas.

Atualmente, necessidades básicas de segurança estão garantidas pelo teto da casa, não precisamos fugir de predadores. Nossa alimentação está garantida pela geladeira e despensas cheias de comida, portanto, não precisamos correr para caçar.

Outras fontes de prazer e diversão, como televisão, videogames e internet acabam nos confinando a situações cada vez mais hipocinéticas.

O resultado é que nos acostumamos a ter prazer no sedentarismo. Quando selecionamos em nossa mente atividades prazerosas que gostaríamos de realizar durante o dia, para muitos de nós fazer exercício físico está longe do “top ten”.

A gente bem que tenta disfarçar essa realidade. Faz propaganda com gente muito bonita, sarada e feliz, aumenta o volume das músicas, grita no palco, inventa nomes diferentes para as aulas e para os aparelhos e até cria programas de treino específicos para períodos do ano. Vendemos isso como se, para todo mundo, fazer ginástica fosse tão gostoso quanto visitar um parque de diversões.

O fato é que não adianta “passar batom no porco” porque exercício físico implica, obrigatoriamente, contração e relaxamento muscular voluntários. Como reza a fisiologia, isso é gastar energia, sair da preguiça e perturbar o equilíbrio gostoso que levamos eras para conquistar.

Damos sentido para a vida quando fazemos muito do que gostamos, e muito pouca gente nasce realmente programada para gostar de se exercitar. Arrisco afirmar que muita gente vai passar pela vida inteira sem realmente desenvolver o gosto pela malhação, mesmo que tenha dedicado milhares de horas da vida se exercitando.

Portanto, investir tempo, recursos e energia para convencer as pessoas de que fazer exercício é agradável não é muito diferente do que tentar fazê-las gostar de uma dolorida, mas necessária, visita ao dentista.

Aposto muito na possibilidade de ressignificar o papel do exercício físico na vida das pessoas. Faz anos que trabalho ajudando pessoas a encontrar uma relação agradável com a vida ativa e saudável. Conheço casos de sucesso de gente que aprendeu a gostar da jornada, e sei como são importantes a presença e a sensibilidade do profissional que as acompanha nesse processo, a fim de que essa mudança possa ocorrer.

A sugestão aqui é para repensarmos a mensagem que, muitas vezes, enviamos. Desde que o mundo despertou para a consciência da importância da atividade física regular para a melhora e manutenção da saúde, é possível que tenhamos nos posicionado de um modo quase arrogante, e estejamos mais preocupados em convencer as pessoas de que suar fazendo exercício é gostoso do que em estar ao lado delas validando que esse processo dá trabalho, exige disciplina e depende de esforço voluntário.

Sendo mais honestos com essa mensagem desde o começo, podemos ajudar mais pessoas a compreender a jornada da vida ativa, preparar e forjar a mente delas para o esforço necessário, e até desenvolver, juntamente com elas, estratégias de aderência e de prevenção de recaídas quando elas estiverem desmotivadas.

Reforço a importância da música estimulante, do ambiente agradável, das facilidades tecnológicas, do fomento ao relacionamento e de tudo o que puder ser aplicado para caracterizar como diversão e entretenimento os serviços que promovem e oferecem atividade física. A possibilidade de ajuste individual dessas e outras variáveis é o nosso “core business”, e não o exercício físico.

Selecione profissionais que, além de um corpo saudável, sejam capazes de exibir atitudes saudáveis para cativar pessoas, usando muita empatia e inteligência interpessoal. Procure treiná-los não apenas nas qualidades técnicas e de atendimento, mas também no exercício da sua sensibilidade e comunicação. Lance produtos, aulas e programas que não se preocupem apenas em preparar o corpo das pessoas para o verão, mas que também ajudem-nas a dar mais sentido para a vida.

E faça tudo isso sabendo que a prática de exercícios físicos é subproduto do seu serviço, e que, talvez, o produto principal seja ajudar as pessoas a se divertir e buscar sentido para a vida. Inove partindo desse princípio.

Vamos inverter a mensagem? Em vez de “venha suar com a gente e, quem sabe, se divertir”, reformule para “venha se divertir e talvez suar um pouco”.

Corra o risco de ser como aquele restaurante novo, com propostas diferentes de todos os outros para um simples feijão com arroz e evite lançar um prato novo atrás do outro e quase obrigar às pessoas a gostar deles.

Valido aqui, como desejo que seja validado com seus clientes, que isso vai dar trabalho. Muito trabalho!

 

Ivan de Marco é graduado em Educação Física, membro do XP Group e possui 14 anos de experiência como Personal Trainer e Life Coach.  contato@ivandemarco.com.br www.ivandemarco.com.br

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1 1 1769 01 fevereiro, 2013 Gestão de Academias, Ivan de Marco fevereiro 1, 2013

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Thais Almeida é diretora e curadora de conteúdo deste portal.

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