Gente certa na função errada
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Gente certa na função errada

A história da carreira de alguns profissionais de educação física que eu conheço começou de um jeito parecido: logo que ingressaram na faculdade, seus primeiros trabalhos foram como recepcionistas, consultores de venda, atendentes ou telefonistas em academias de ginástica ou clubes.

Muitos desses profissionais avaliam essa experiência inicial como positiva para suas carreiras. Alguns afirmam até que o fato de já estarem trabalhando dentro de uma instituição da área do esporte ou do fitness os ajudou a conquistar, na mesma empresa, uma vaga como estagiário, professor, instrutor ou treinador após concluída a formação acadêmica.

Em uma análise superficial, parece fazer sentido que, quem deseja fazer carreira na área da educação física ou esporte, comece a trabalhar o mais cedo possível dentro de alguma instituição da mesma área, mesmo que assumindo funções que absolutamente não fazem parte do escopo de atuação do profissional graduado. Nesse pensamento pode morar um grande equívoco!

O plano de carreira de um profissional de educação física deve começar mesmo pela sua atuação como recepcionista ou de atendente de telemarketing?

Uma empresa prestadora de serviços nessa área, que genuinamente deseja oferecer o melhor para seus clientes, deve mesmo recrutar jovens graduandos em educação física para atuar em funções incompatíveis com o corpo de conhecimento oferecido na faculdade?

Essas e outras perguntas sobre esse assunto geram reflexões que muitas vezes estão adormecidas ou esquecidas.

Apesar de possuírem certas interfaces comuns, as habilidades que um profissional precisa ter para atuar, por exemplo, como recepcionista em uma academia, estão mais próximas daquelas que um estudante de teatro ou de relações públicas vai adquirir em sua formação do que as que um graduando em educação física recebe.

A não ser em poucos filmes, desconheço casos de hospitais que recrutam, selecionam e contratam estudantes de medicina (possíveis futuros cirurgiões) para vagas de telefonistas.

Na atribuição da função, penso que a responsabilidade de quem contrata é substancialmente maior do que de quem é contratado.

Penso que a revisão dessa crença é urgente. Já transitamos para um modelo de trabalho onde não se fala em diferencial sem falar em pessoas. Não se fala em inovação sem falar em pessoas. Até quando vamos contratar gente certa para a função errada?

A crença de que devemos iniciar nossa carreira no balcão de atendimento se fortaleceu e conheço muitos profissionais que consideram esse o jeito mais bacana de iniciar o que pode ser chamado de plano de carreira.

A mente do jovem futuro profissional de educação física parece ter uma atração e um interesse genuíno pela diversidade. As empresas podem aproveitar essa energia e orientar os recém-chegados à faculdade, estabelecendo parcerias interessantes com instituições de ensino.

Desenhar algumas funções que possam gerar valor para a empresa e ao mesmo tempo contribuir de verdade para o crescimento profissional do estudante é o desafio.

 

Ivan de Marco é Profissional de Ed. Física com mais de 15 anos de experiência como Personal Trainer e Life Coach. Palestrante em eventos corporativos e Service Thinker da EISE – Escola de Inovação em Serviços!  contato@ivandemarco.com.br www.ivandemarco.com.br

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Thais Almeida é diretora e curadora de conteúdo deste portal.

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