O Líder Verdade: quando as máscaras caem
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O Líder Verdade: quando as máscaras caem

Muitos líderes ainda acreditam que para serem respeitados têm que ficar de cara feia, dar respostas “curtas e grossas” e criar um clima de horror e de desconfiança entre as pessoas. Mais uma vez, a ciência do cérebro confirma que o otimismo é uma excelente estratégia.

O momento atual é de muita reflexão em todos os sentidos. Passamos por diversas mudanças. Todos avaliam suas crenças, seus paradigmas, e nunca o ser humano foi tão confrontado com os seus valores, seus comportamentos e seu propósito de vida.

A cada dia se depara com o significado da vida e da sua existência quando a natureza resolve mostrar a sua força, e assim o ser humano se dá conta da sua “pequenez”.

A física quântica não fala mais em universo, mas sim em multiverso, portanto, sejamos, talvez, menos do que grãozinhos de areia espalhados pelo Cosmos.

A ciência vem apresentando muitas teorias que não temos como discutir, a não ser que tenhamos mais pesquisas para confrontar.

Com todas essas informações, não podemos nos dar ao luxo de permanecer cronicamente com a falta de humildade. Precisamos, sim, estarmos abertos e mudarmos rapidamente nossos comportamentos.

E um dos pontos que percebo ser fundamental e o que mais precisa de reflexão sobre o seu papel é o Líder. A figura do líder é importante na vida saudável das empresas e das pessoas. Um líder disfuncional destrói pessoas, esperanças, resultados e pode levar uma empresa à falência.

Portanto, conto com você que quer ser líder, ou você que é líder, para refletir (acreditando ou não, já que é ciência) sobre as máscaras usadas atualmente em nome de resultados a qualquer custo e que possa aplicar os pontos abaixo.

 

O que a ciência já sabe e o mundo dos negócios ainda não pratica

A Neurociência consegue unir o desejo das pessoas por empresas mais humanas e um lugar de trabalho que promova a felicidade, comprovando pressupostos, antes empíricos na área de Gestão de Pessoas.

Por que decidi aprofundar meus estudos na ciência, em especial na ciência do cérebro (Neurociência)?

Sempre atuei de forma favorável a exercer uma Liderança Humanista, baseada em propósito de vida e entendendo que são as pessoas que nos ajudam a chegar aos resultados. Esse discurso sempre fez parte de minhas palestras, livros e artigos, mas a área de gestão de pessoas era muito empírica na época. Há dez anos, eu ministrava uma palestra para líderes, quando um dos participantes levantou e me falou: “ –Marynês, todo esse seu discurso é muito bonito, mas, na prática, o que funciona mesmo é pancada e grito”.

Daquele dia em diante, prometi a todos os líderes que encontraria uma maneira de provar que estávamos certos, pois a prática já confirmava esses pressupostos, mas ainda não tínhamos os números para mostrar a essas pessoas céticas e cartesianas.

Nessa época, pouco se falava sobre a ciência do cérebro, mas consegui encontrar o Profo. Luiz Machado do Rio de Janeiro, PHD e pesquisador, que já estava bem à frente em relação às pesquisas sobre o cérebro, e, inclusive, havia sido um dos precursores com relação aos estudos de Daniel Goleman.

Depois desse aprendizado seguiram-se muitos outros, muitos livros e pesquisas, cujo conhecimento quero compartilhar com vocês, oferecendo cinco dicas para sua atuação como líder fundamentada na ciência do cérebro.

Neurologistas e Neurocientistas estão descobrindo cada vez mais que o sentimento é uma parte crucial da inteligência e, dessa forma, contribui para que os líderes tomem as decisões corretas. Mas neste artigo, não farei uma explicação detalhada do funcionamento do cérebro.

 

Cinco dicas para uma LIDERANÇA HUMANA E EFICAZ

 1.     Delegar é importante:

Os líderes centralizadores reclamam que suas equipes são ineficazes e não atendem bem o cliente. Líderes ditadores, centralizadores e que amedrontam suas equipes na base da pancada e do grito, geram altos níveis de cortisol sobre a amídala cerebral. Isso faz com que as pessoas se desliguem e façam apenas o necessário para garantir o emprego, fecham-se para as mudanças e novas ideias e passam a não querer ajudar ninguém, tornando-se egoístas e cegos. Pessoas egoístas não irão atender bem o seu cliente. Para aumentar as conexões neurais e aumentar a capacidade e competências de sua equipe lidere com perguntas e não com respostas e deixe sua equipe buscar as soluções. Aprende quem faz e não quem apenas escuta.

 2.     A verdade nua e crua:

Não adianta esconder informações, mentir e achar que ninguém está percebendo, ou falar uma coisa e fazer outra. Os neurônios-espelho são suscetíveis à captação das intenções abusivas dos líderes, mesmo antes de qualquer ação. As pessoas registram qualquer incompatibilidade entre as intenções e a prática. Os neurônios-espelho capturam as ações e as emoções dos outros.

Portanto, quando você estiver em dúvida sobre o que está acontecendo ou sobre o que fazer, reúna sua equipe, identifique os principais problemas e se concentre em como as pessoas lerão suas intenções. Identifique as intenções compartilhadas.

Incongruência da liderança só faz diminuir a credibilidade. Ninguém vai seguir uma pessoa em quem não confia. No máximo, o que esse líder terá são mercenários que trocam horas por salário. Portanto, falar a verdade é muito importante e aumenta a confiança. Por isso, use e abuse dos feedbacks, converse com a sua equipe, peça a opinião deles. Não viva de aparências e mentiras e acabe com a tática das manhas e artimanhas, que só diminuem os seus resultados. Dessa forma, você irá impulsionar o moral e aumentar a produtividade por meio de um maior senso de responsabilidade compartilhada.

Não negue os problemas, mas mude o foco para a solução.Ao fazê-lo, você terá impacto direto sobre o cérebro de todos e do faturamento que pretende atingir.

3.     Elogiar faz bem:

Chega de falar que elogiar só faz as pessoas pedirem aumento. O elogio reforça no cérebro quais os comportamentos que são adequados, além de inundar a amídala cerebral com SEROTONINA, que faz com que as pessoas se ajudem, se aproximem, e isso aumenta a vontade de atender bem o cliente. As pessoas podem sentir quando a injustiça está ocorrendo no ambiente de trabalho.

Se a sua equipe está feliz, seu cliente fica feliz e, com certeza, sua gratidão será expressa à medida que ele continua com você por anos como cliente. Fácil fidelizar, não é mesmo? Elogie e reconheça as pessoas e comemore os seus sucessos.

4.     De “pernas para o ar”:

Na gestão do século XXI, alguns indicadores devem fazer parte: FIB (Felicidade Interna Bruta) de seus colaboradores; “Índices de Inovação e Criatividade”; “Conselho de Economia Criativa”; colaboração coletiva (chão de fábrica e alta gestão).
Mas todos esses indicadores para florescerem precisam de um ambiente que diminua o excesso de cortisol sobre a amídala, favorecendo assim a criatividade e a inovação. Por exemplo: momentos de descontração durante o expediente, sair para dar uma volta quando algum problema parece insolúvel, trabalhar em outro ambiente, por exemplo, em casa em vez de ficar no trânsito, criar seu próprio horário de trabalho, dedicar meia hora para outros projetos que não sejam os de seu cargo, tirar férias. Estas são as estratégias mais utilizadas e que comprovam o maior número de insights e criatividade nas empresas.

Mas ainda temos empresas que fazem o “terrorismo das férias”, ou seja, demitem as pessoas assim que elas voltam de férias, o que faz com que as pessoas ao saírem de férias fiquem estressadas pensando na perda do emprego.

Esse estresse todo só diminui a criatividade e afeta os resultados da sua empresa, pois diminui a produção de neurônios (competência abaixo da média); compromete a memória (esquecimentos e lentidão); deixa as pessoas mais frias e distantes em relação aos outros (atendimento sofrível); diminui a imunidade (empresas cheias de atestados médicos gerando altos custos) e acaba diminuindo em dez anos sua expectativa de vida.

Promova pausas criativas no seu dia, pois nessas horas o cérebro é inundado de serotonina e tem os melhores insights, as decisões mais acertadas, o foco na solução e, consequentemente, melhores serviços e produtos. Veja Google, Toyota, Microsoft, Facebook etc.

5.     Pratique o bom humor:

Muitos líderes ainda acreditam que para serem respeitados têm que ficar de cara feia, dar respostas “curtas e grossas” e criar um clima de horror e de desconfiança entre as pessoas. Mais uma vez, a ciência do cérebro confirma que o otimismo é uma excelente estratégia.

A Amídala Cerebral é um detector de emoções relevantes e responde ao medo por ser uma das emoções mais fortes. E a amídala está conectada à parte do cérebro que pensa. O medo pode interromper o pensamento e afetar a produtividade. Essas equipes ficam mais preocupadas em agradar esse tipo de líder do que em fazer o seu trabalho e atender bem ao cliente.

Sobrecarregando o cérebro com medo, mesmo que seja inconscientemente, você utiliza recursos valiosos do cérebro que poderiam ser utilizados para construir seu negócio.

Ansiedade excessiva perturba a integração das informações recebidas pelo cérebro. Quando a amídala está caótica, todo o sistema de monitorar erros se torna caótico e a atenção às coisas internas e externas se tornam caóticas.

A amídala responde muito bem às ideias positivas, recompensa e sucesso, e transmitirá ao córtex um ambiente mais propício e menos frustrante. Tranquilize sua equipe, seja confiante.

 

Espero que os líderes agora entendam que a Gestão Humanista das pessoas está fundamentada na ciência e que percebam que essa “ressignificação pessoal” leva em consideração a ênfase em metas e não na ansiedade, provocando uma nova visão de futuro e tornando-se uma grande ferramenta crítica para reprogramar o seu cérebro e o de seus colaboradores. Sucesso!

 

Marynês Pereira é Business & Career Coaching pela Sociedade Brasileira e palestrante certificada da DDI Development Dimensions International. É Diretora- Executiva da Provider Solutions desde 2003. marynes@providersolutions.com.br www.providersolutions.com.br  www.palestrasvencedoras.com.br

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Thais Almeida é diretora e curadora de conteúdo deste portal.

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